segunda-feira, maio 29, 2006

 

O Nome da Crise

Um excelente artigo do JLCN hoje no DN. Lembro-me quando defendia ao chegar a Portugal depois de viver quase dez anos no estrangeiro, em 2002, a ideia que estávamos no começo de um longo processo de empobrecimento relativo e continuado mas simultaneamente suave de tal forma que iria levar pelo menos uma década a notar-se os seus efeitos. Muitos colegas economistas achavam que não, no fundo era uma crise substancialmente parecida com outras anteriores, as tais outras quatro que o JLCN fala. Esta até de menor impacto no crescimento que as restantes (o JLCN ilustra bem com os dados estatísticos). Depois era a treta das expectativas (alguém acha que o FDI baseia as suas decisões de investimento no discurso do primeiro-ministro ou na propaganda política?; no fundo revela que a estratégia económica é hoje como sempre foi de crescimento por consumo privado interno e não por investimento).

O problema é que o estrangulamento desta vez não é nem macro nem micro, mas institucional, um tema que a maioria dos economistas descobriu tardiamente (repare-se que só agora começa a entrar na formação dos economistas e gestores os temas de análise institucional, e ainda tenho muitos alunos e alguns colegas que acham que isto não interessa para nada). Um estrangulamento institucional exige uma resposta que a sociedade portuguesa não sabe dar e a classe dirigente não está de todo sensibilizada. Historicamente acabou sempre com revoluções, guerra civil ou sangue; nunca reformámos as instituições em Portugal de forma ordeira e pacífica.

O maior erro que se ouviu estes anos e que insistentemente as várias propagandas governamentais usam é o de que com um pouco de esforço vamos lá. Não precisamos de um pouco de esforço distribuido por todos, nem de controle das contas públicas, nem de pequenas reformas; isso dá para os 1.7% de crescimento em 2007 mas jamais chegará aos 3 ou 4% que desejamos. O que precisamos é de reformar as instituições (como em paradigmas económicos muito diferentes fizeram D. João II, o Marquês de Pombal, os liberais de 1834, e Salazar) e isso nem no horizonte das prioridades políticas está. Veja-se o tratamento de choque no Japão, o exemplo mencionado pelo o JLCN, e perceba-se a profundidade e o alcance exigidos. O resto é conversa para ir ganhando eleições.

Comments:
Dear friend, Here is an opportunity for you that is taking over the internet. The compensation plan is second to none. The spill over will blow your mind and the educational products are of the highest quality. Knowledge is power and nobody can ever take that away from you. Join me in this business and see for yourself what you will be getting. Click here: FREE Information
 
Enviar um comentário

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?